Acessos

domingo, 4 de setembro de 2011

Camping Rock 2011, interatividade, paz e rock and rol


Quero pedir as mais sinceras desculpas aos amigos Magela Medeiros e João Tatão (idealizadores desse projeto incrível) pela minha ausência na edição do Camping Rock 2011.http://www.campingrock.com.br/ Não pude comparecer por motivos que fugiram a minha vontade. Fica aqui a minha homenagem apresentando a reportagem do Elmo Gomes/Criart que nos transporta para dentro do festival e nos faz sentir lá ao vivo e a cores!
 


Belo Horizonte é considerada por muitos a capital nacional do heavy metal, e a idéia de se fazer um festival de bandas de rock and roll independente e no meio da natureza, veio reforçar este estigma de cidade roqueira de BH. Há alguns anos, João Batista da Loja Purple Records, idealizou este festival juntamente com o Marquinhos, para logo depois firmar a parceria com Magela Medeiros do Programa A Hora do Dinossauro, de lá pra cá, já se passaram quatorze festivais, onde várias bandas apareceram para o público e se consagraram no circuito mineiro e até nacional.

O Camping Rock 2011, foi realizado na Fazenda Chaparral, Itabirito, nos dias 23, 24, 25 e 26 de junho e contou com 21 apresentações musicais de alto nível, mesclando bandas que estão surgindo agora com dinossauros do rock nacional e a seleção das bandas não se limitou a Minas Gerais, pois, contou com bandas de Brasília, São Paulo e  Rio de Janeiro. O público que já na manhã de quinta feira foi invadindo a Fazenda Chaparral, estava nem um pouco preocupado com o frio da noite, a galera queria mais era se interagir e curtir muito rock and roll e para isso veio preparada com blusas, cobertores, muito álcool e outras coisitas mais. Um festival como este prova o quanto à galera maluca sabe o que realmente é a essência de uma vida regrada ao melhor do rock and roll. Um público eclético dentro dos vários estilos do rock, e de várias regiões de Minas e do Brasil, vivenciando uma experiência única de comunhão, paz e harmonia, que somente estas tribos podem proporcionar.

Pessoas vindas de longe, somente para curtir o festival, é uma realidade cada vez mais freqüente, como é o caso de Paulinha “Minerva” Mello que desde 2006, seu primeiro Camping Rock, não faltou mais nessa grande festa. Paulinha é mineira de BH, mas, desde 2007 mora em Lages, Santa Catarina, e faz questão de estar presente: “Desde a primeira vez que vim não consegui mais parar e mesmo morando em outro estado, compareço, pois isto aqui é imperdível. Além de curtir muito rock and roll, revejo vários amigos e aproveito para matar a saudade.”

No fim da tarde de quinta feira, dia 23, a banda By The Pound, formada por Ricardo Righi, (ator, vocal e percussão), André Boechat, (teclados, sintetizadores e backing vocal), Davi Kakowickz, (baixo, violões de 6 e 12 cordas e backing vocal), Yuri Lopes, (guitarra solo e backing vocal), Guilherme Lacerda, (bateria, percussão, violão e backing vocal), Alessandra Carneiro, (maquiagem e figurino), cover do Genesis, sobe ao palco e convidam a galera a entrar nessa viagem de quatro dias, as portas para a loucura estavam abertas. A segunda atração do dia é a Banda More Beer, com a formação dos irmãos Beto, (guitarra) e Sólon, (bateria), Lorran, (Baixo e backing vocals) e Valney, (Vocais), a More Beer interpretou clássicos dos anos setenta de forma competente e com uma pegada massa agitou a galera. Na sequência duas bandas de peso, dinossauros do rock foram desenterrados nos terrenos do Camping Rock, Patrulha do Espaço e Casa das Máquinas, duas grandes expressões do rock brasileiro surgidas nos anos 70, com nova formação, mas com o mesmo avassalador poder de detonar um rock and roll, relembraram velhos sucessos mesclados a canções compostas atualmente, provaram que o rock não tem idade, nem cor, nem tempo, o rock é eterno. A vocalista do Patrulha do Espaço, Marta Benévolo, agradeceu o carinho do público e disse: “Este espaço é maravilhoso, em São Paulo não existe algo parecido” e João Luiz, vocalista da Casa das Máquinas, também elogiou o evento: “O show no Camping Rock foi melhor do que eu esperava. A galera foi maravilhosa e cantou todas as músicas, foi um show para ficar na história.” Para o final da noite, foi reservado o espaço para duas bandas belo horizontinas, filhas do Camping, o Zé Trindade, velho conhecido da galera rockcampista, que além de clássicos dos setenta, desfila músicas próprias já reconhecidas por muitos e o Aly Na Skyna, cover do Lynyrd Skynyrd, banda dos anos setenta que é a maior inspiradora da banda mineira. Os garotos não deixaram por menos e mandaram o frio embora e os malucos de plantão assistiram a dois super shows, o Zé entoou seu grito de guerra pelos ares da madrugada campista, “Rock and Roll, Zé”, e fez muita gente que já estava morta ressuscitar e o Aly na Skyna foi no embalo e deu mais um pouco de sangue para os zumbis perambulantes. A relação do Zé Trindade com o Camping, o próprio Danilo marques Guitarras e vocais do Zé define: “É uma alegria, orgulho e satisfação que, na semana em que completamos sete anos, subimos ao palco do Camping Rock pela sétima vez. Assim como esperado, uma noite de overdose de rock e diversão com os amigos, além de fazer o que gostamos: tocar rock and roll. O Zé Trindade passa por uma boa fase, novas experiências, novo disco, novas perspectivas. A materialização de tudo isso se dá nos shows e o Camping Rock 2011 representou mais uma noite de realização! Bom demais!” Fim da primeira noite, hora de descansar para o outro dia, nada disso, ainda resta o bar do camping e os incansáveis Nariz, Sílvia, Raul, Carlão, Conan e uma galera ensandecida ao som de violas, gaitas, flautas e performances absurdas fecham a noite e dão bom dia ao sol.

A sexta feira promete logo cedo “Raul” inferniza o sono da galera com sua corneta. E o dia foi passando entre bate papos, interações, namoros, rangos e muito álcool é claro, tudo faz parte do ritual de preparação para a segunda noite, que tem como primeira atração a banda Artfact, que com seu Power Metal, de boa qualidade abre os shows do dia 24, para mais uma maratona de trituração de mentes ensandecidas e em sequência a banda Rarde, que faz um som muito bom, bem trabalhado, possui um ótimo entrosamento, ficou meio fora de contexto, mas soube agradar o público e cultivar o respeito da galera.

Já à noite e com o frio batendo às portas subiu ao palco o veterano Alexandre Araújo que não se assustou com o gelo e botou sua guitarra pra gritar o mais puro blues, acendeu de vez o fogo dos presentes e provou que os anos de estrada e rock and roll fizeram dele um dos maiores guitarristas do Brasil. Depois de muito blues uma pausa para viagens alucinógenas, com a banda Yessongs, cover do Yes, uma banda que tem uma proposta um pouco diferente das bandas covers em geral. O Yessongs procura modificar o set list a cada show, e a banda paulistana Violeta de Outono, dos anos 80, que têm influência de Pink Floyd e Beatles. Com um bom repertório e um estilo que foge ao modismo e a mesmice da produção musical da atualidade o Violeta vai se perpetuando no cenário nacional e ganhando reconhecimento internacional.

Antes de fechar a noite com o show do Concreto, uma grata surpresa vinda de Brasília, a banda Dog Savana, um quarteto de hard rock que mandou bem e aqueceu a galera para que pudessem aquentar a friagem e curtir o último show da sexta com Concreto mandando ver suas músicas já introduzidas nas memórias de muitos campistas. O Concreto cumpriu seu trabalho e ainda deu de presente para galera a música do Kiss, Rock And Roll All Night, então se é assim vamos pro bar matar a noite.

Sábado, o dia mais esperado do Camping Rock, a galera do Papa Ovo, como já é tradição, vai esticar a lona e os malucos e doidinhas vão se espaldar na descida da lona. Como se voltassem a ser crianças, a malucada se joga nessa brincadeira que é esperada com ansiedade por todos. E nessa edição do Camping aconteceu uma coisa bacana, havia bem mais mulheres que nas outras edições e só lindas, e elas desceram a lona. É, o mulherio está de parabéns, estão tomando conta do rock também e já aderiram até brincadeira da lona. A coisa está melhorando.

Após a lona a última noite de rock. Veio de Brasília o som do Parafernália, banda de responsa que faz uma mistura de hard, heavy e progressivo, e deixou bem claro porque a organização se empenhou na contratação da banda, que inclusive, afirmou faltar espaços em Brasília e agradeceram aos organizadores e a recepção calorosa, apesar do frio, do público. Sobe ao palco Cartoon, banda progressiva de BH que se apresenta no Camping desde a sua segunda edição, fez um show maravilhoso dando o tom de viagem na noite de sábado, ao lado de um quinteto vindo do Rio de Janeiro, o Quaterna Réquiem, que toca rock progressivo sinfônico. A viagem estava preste a tomar um rumo acelerado, na reta final o heavy pediu passagem e a banda Seawalker veio destruindo neurônios, arrebatando os insanos sedentos de heavy e provocou o primeiro mush desta edição. Tava faltando um bate cabeça e a galera se jogou. O sexteto Thespian dá sequência a quebradeira e com a experiência adquirida ao longo dos anos de sua carreira esquentou o clima para o show mais esperado deste ano, pelo motivo do Morgana estar parado há algum tempo a ansiedade pelo show era enorme. Porém, houve uma frustação geral, após apenas duas músicas tocadas, o que pegou fogo foi o gerador de energia, nem ele suportou a alta voltagem em que os rapazes do Morgana começaram seu show e com poucos minutos estava acabado o que prometia ser o melhor da festa. O negócio foi invadir o bar, mais uma vez e se despedir ao som das violas barulhentas dos sagazes e incansáveis tocadores noturnos.

O dia que ninguém quer que chegue, domingo. Hora de preparação para ir embora, desmontar barracas, despedidas, acaba o dinheiro, a comida a bebida, mas pêra ai, ainda resta um restinho de som. No domingo bem tranquilamente subiu ao palco Marcelo Tull e seu companheiro flautista, Giancarlo Cardarelli, para fazer um show acústico perfeito, logo em seguida Robertus Van Langen, o Holandês Voador, que também fez suas peripécias acústicas no palco os dois fizeram um som de despedida, mas não de tristeza, pois o que acabou foi mais uma edição do Camping Rock, mas a certeza de que ano que vem estaremos de volta e cada vez com mais força, interação, coletividade, paz, amor e muito rock and roll, continua.     



Texto escrito por ELMO GOMES / CRIART
fonte: http://www.criartbheventos.com.br/index.php?id=VerNoticia&idNoticia=33

Nenhum comentário:

Pelo Mundo

Publicidade

Pagina inicial