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quarta-feira, 7 de maio de 2014

OPINIÃO DE ROCKEIRO : - Conrado Salazar Ex Devildust fala sobre cenário cover

Olá leitores!
Desculpem a minha ausência, resolvi tirar uma férias!
Estava lendo alguns "posts" do Facebook e achei muito interessante as colocações do amigo guitarrista e ex integrante da banda "Devildust" de Belo Horizonte, Conrado Salazar. Ele respondeu para algumas pessoas, tanto é que existem alguns nomes e tags citados...para dar total veracidade ao texto, apresento para vocês na íntegra o que ele pensa a respeito da cena cover e autoral da nossa cidade.
Tenham uma boa leitura!
Da redação: Leda Rocker

(Minha opinião que postei lá no post anterior, aqui junta. lá, quem tem que ler vai se perder pq já virou uma baderna).
1 - pra mim a cena cover não acrescenta em nada no meio artístico da cidade.

2 - sim, a cena cover está com melhores músicos que a cena autoral. simples explicar: os melhores músicos da cena não são os músicos de fim de semana. são os que vivem disso. pessoas como Ricardo Linassi e Roberto Leite que precisam da música para viver. como uma profissão. pessoas que estudaram, dão aulas, são professores. pessoas que infelizmente desistiram do meio autoral por que precisam de grana pra viver. pergunte a eles mesmo quais os aplausos mais sinceros que eles receberam? se tocando na Cash ou na Rock Station, ou se era no Wisache e Brave, ou no Ata Darc, Dinnamarque, Seawalker e Devildust...e pergunte a eles com qual se sentiam mais realizados e valorizados no palco. por receberem aplausos pelo que eles CRIARAM, se desgastaram, suaram naquilo ou por apenas reproduzir o que já tá feito. não recrimino eles por terem abandonado a cena autoral, mas arrisco a dizer que se ambos, que vivem de música, pudessem ganhar 70% do que ganham com covers pra tocarem autorais, não tenho dúvidas sobre qual a escolha de ambos.

3 - cover sim é uma opção preguiçosa. é muito mais fácil tirar e reproduzir o que já está feito e consagrado, do que criar, compor, tentar inovar. vamos citar aqui o próprio Ian Paice (lendário baterista do Deep Purple): copiar é fácil, criar é difícil. claro, vai aparecer alguém com argumento de "vai tirar Malmsteen, vai tirar Dream Theather pra ver se é fácil"...eu, de antemão respondo: vai compor como eles e ver se é mais fácil que tirar o que eles já fizeram. sentar a bunda na cadeira e tirar é bem mais fácil que buscar uma inspiração, criar uma melodia, fazer arranjos, depois podar o que tá em excesso. fazer uma música com sentido lógico. é a estrada mais fácil é fazer uma banda de cover e, depois, conseguir respeito tocando som próprio. Me deu orgulho de ver o Tormento dos meus amigos Lânio Araújo Rafael Torres e Diogo Amâncio nos show do Torture Squad e do Sodom, sabendo que eles se recusam a fazer cover e ver o público gritando: Tormento, Tormento Tormento...me dava orgulho ver que minha ex banda Devildust, desde os tempos de Inner Fire ainda, quando a formação ainda era Leo Garibaldi Daniel Silva, eu, Spencer Chedid e André Mascarenhas Pereira entrar em estúdio, compor e só sair dali pra palco qnd já tivesse um repertório de autorais prontos e que tivéssemos 1 ou 2 covers no máximo por show. E mesmo assim, não curtíamos tocar lado A. Tocávamos Mercyful Fate, Nevermore, Iced Earth...sempre mudávamos os covers pra não ficarmos estigmatizados como a banda que tocava X...não. Nisso se passaram Guilherme Salomao, Manfredo Savassi Werkhauser, Ricardo Linassi - drummer, Henrique Werner, Rodrigo Cordeiro, Brankko Siqueira, @Roberto Leite, Leonardo Rolla...a banda mudou de nome, mudou um pouco a proposta sonora, mas firmes na idéia de fazer nosso som. No início os shows eram vazios sim...era a hora em q a galera ia pegar cerveja, etc. A gente não tocava cover. Mas foi a estrada mais tortuosa que deu certo. Depois de um tempo, a coisa foi crescendo o povo ia no nosso show por nossas músicas exclusivamente. Mantivemos a proposta de covers "diferentes" tipo Motorhead (e n era ace of spades), Amon Amarth, Pantera, Chrome Division, Twisted Sister, Black Label Society (antes da modinha que assolou bh na época do show)...nada era mais gratificante. Muita gente falava mal? Foda-se, a gente dava a cara a tapa...falavam mal ou bem por uma coisa nossa. Não nos escondíamos atrás de Hits consagrados e indo, medrosamente, colocando aos poucos a cara pra fora da janela pra evitar tomar tomate na cara...ganhávamos grana? No fim da meu tempo lá começou a rolar cachê...hoje não sei como tá. Mas te falo que era foda pegar um dinheiro produto do NOSSO suor...não de um suor alheio
Em tempo: no mesmo show do Torture Squad que o público de BH gritava alucinadamente Tormento, cantava, moshava e tudo mais, Dinnamarque, Silvercrow, DD...todas, fizeram showzassos.

4 - o público daqui é tão nojento, preguiçoso e escroto que o problema deles não é com música autoral não...o problema deles é com conhecer música. Como já conversei várias vezes pessoalmente com vários de vocês (inclusive Beto Lani), só rola lado A. Uma vez, eu ainda estava no DD e pensei em montar um cover com @Lânio Araújo e Raffa Cordeiro pra ganhar uma grana extra. Tava numa época complicada de grana. Montamos repertório, mostrei ao @roberto leite e a resposta dele pra mim foi: "não vai colar...tá cheio de lado B. Você só consegue tocar no stone e no Studio com esse repertório." 
Tinha coisas feito The Cult, Motley Crue, Kiss....coisas que INACREDITAVELMENTE são lado B pra esse povo. mas nem levamos a ideia pra frente. Depois chegamos a montar um cover de Faith no More e Alice in Chains eu Lânio, Heitor Silva, Rafael Dinnamarque e Tedy Zefferino...iamos tocar apenas isso, com todos lados B. Até que vimos que podemos ter isso pra divertir, mas não pra querer viver disso...os ensaios estavam foda...mas não conheço quase ninguém em BH que conheça mais q 3 a 4 músicas do FNM e mais do que 6 do AIC. numa boa, os repertórios das bandas se repetem dia a dia pq vc sabem que não adianta colocar nem um lado B de Guns, Led, AC/DC, Floyd que o público em geral não gosta, torce o nariz. No nosso caso, nunca nem chegamos a mostrar ensaio pra ninguém. Se o público fosse bom, vocês mesmos se arriscariam a tocar lados B, C, D e E e apresentar coisas novas pra eles. Mas nem vocês se arriscam pq sabem que vai ser furada e ninguém conhece. O próprio Hard n Heavy sofreu pra caramba por muito tempo e já cogitaram em acabar há tempos atrás pq eles tocam muito mais lado B que todas as bandas de cover de BH juntas. Ou seja, vcs mesmos não se arriscam pq sabem que seu "público" não compra sua ideia. A coisa é tão séria, que nem o VJ das casas está autorizado a colocar nada diferente. Adorava qnd o Jeff Fernandez Jr... ralava lá pq ele soltava só coisa foda e diferente: Pantera, Sepultura, Rebel Meets Rebel. e ao invés do público ir atrás dele e perguntar: o que que é isso cara? onde acho? nego torcia o nariz pq conhecia aquilo que tava tocando. Tanto que 90% das bandas tocam as mesmas musicas do led, do doors, do Metallica, do Bon Jovi, do Pearl Jam, do sod,...pq? pq nenhum de vocês se arrisca a colocar um lado B no repertório e diz ao público: vc gosta dos lados A dessa banda? Vamos conhecer tbm os Lados B. Nem só as que fizeram sucesso são as fodas. Existe mais coisa que isso.

5 - situações que passei em casas de cover de bh:
- primeira: cara você é do rock? eu já fui tbm. q massa...que música é essa que ta tocando?

Era nada mais nada menos que "Here I go Again" ...musiquinha desconhecida...

- a segunda foi uma menina que vira pra mim e pergunta: vem cá ô metal...aqui só toca rock mesmo? #fail

- terceira: uma banda que cujo integrante está aqui tocando Ramones no palco, uma guria ao meu lado, de camisa do ramones me pergunta: qnd que eles vão tocar ramones??? 

- e, por fim, a última...essa meu amigo Carlos Lisboa pode atestar. Qnd o Whitesnake veio a BH naquela tour sozinho, sem o Judas, uma banda fez homenagens a eles no show, tocou mais de 50% do repertório só de whitesnake...houve pessoas que frequentam que não foram ao show do WHITESNAKE pq haviam visto o cover na semana anterior.

6 - Sim, o nível de 95% das bandas covers daqui são sofríveis...traves o tempo todo, vocalistas desafinados e usando pasta de letras (e muitos nem mudam o repertório, como não decoram?) falta de presença de palco, falta de montar show...sobem, executam músicas mal e porcamente em sua maioria, não fazem medleys, não emendam musicas, não improvisam, não brincam no palco. são músicos burocráticos...poucos salvam e vou falar a verdade que pode doer a quem doer: 99% por cento dos melhores músicos que tocam cover hoje, saíram de bandas autorais, dessas que tocavam mesmo no matriz e que foi menosprezada por alguém (que não lembro quem) no post anterior...

a culpa é de vocês? dos donos das casas? dos produtores? Não...vocês apenas se valem de uma situação que já existe...a única culpa suas nisso é aceitar o status quo ao invés de tentar mudar...tentar alterar e sair do lugar comum...tipo, vcs n estão errados, apenas aceitam o caminho mais cômodo...ok, respeito isso. mas não se vangloriem de tocar cover como se fosse um grande feito pois não é....

Antonio Carlos Presi Presi eu não quero saber de Cuiabá, não quero saber de Rio, de RS, de SP...não moro lá...moro aqui e o que vejo é uma cena abafando a outra. quem pegou o início dos anos 90 lembra o tanto de banda de rock e metal que tinha nessa cidade, de autoral e covers e a coisa pifou...os próprios Tia Nastácia, Carne Nua eram da época. assim como Divine Death, Pathologic Noise...a galera dava as caras. os colégios tinham festivais de bandas...havia uma outra mentalidade. quando citei SP é pq vi exatamente isso acontecer lá: a galera tinha bandas de som próprio, começaram a fazer covers paralelos pra tirar grana, depois as bandas covers viraram bandas cópias, nas quais os caras adotavam sobrenome, visual dos músicos...até corte de cabelo igual e tatuagem igual vi...e pergunte como anda lá afundou a cena da cidade...show hoje, se vc tem banda, só no interior pq o interior de sp SEMPRE valorizou o underground de som próprio...aqui Marcel Inhauser, Olórin Tw, Gustavo Moreira Alexandre Oliveira podem atestar com propriedade sobre isso.

Romulo Danelli...sim, tenho certeza disso. ainda há uma resistência em bh...um público que pensa como eu, como o Gustavo Seidler...
vou te falar que esses dias fui num show de death e black metal com meu amigo Daniel Gontijo Draghenvaard lá no meio do santa terezinha dos meus amigos Carina Alok Victor Schimidt Monticelli @daniel @felipe antonio, Markin Divine Mallu Henndrys e te falo: o lugar era tosco, cerveja ruim, o equipto. de som péssimo...e os caras se amarrando, agitando pra caralho, driblando todas as falhas...e tocando som autoral...dando a cara a tapa...foi MUITO foda...os caras transpareciam tanta verdade no palco, tanta sinceridade que me deu nostalgia dos anos 90...do Estrela, Elite, Botecário, Caverna,...

em suma: copiar é fácil...criar é difícil...dar a cara a tapa dói e esconder atrás de hits é cômodo...cada um assume a postura que quiser, mas saiba a estrada que está trilhando....

minha opinião é essa...respeito todos como pessoas, respeito como músicos, respeito as escolhas, mas o que penso dessas escolhas está aqui escrito...sem mais, 
Conrado Salazar

Um comentário:

Rudson Silva disse...

Bom saber que ainda existem pessoas assim , que realmente valorizam o som autoral e que essas pessoas nunca deixem morrer essa vontade . Muito bom o post .

Pelo Mundo

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